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Festa de Santa Helena: "Coração tremia ao ouvir os tambores pra procissão", diz devoto.

Devotos relembram fatos vividos em festas antigas de Santa Helena.

01/05/2021 16h30 Atualizada há 4 dias
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Por: Vanessa Reis
Foto: Consuelo Abreu
Foto: Consuelo Abreu

A véspera do primeiro domingo do mês de maio é uma das datas mais aguardadas pelos setelagoanos. Nesta época do ano, os hotéis, pousadas e casas pela cidade tinham o costume de se prepararem para receber turistas oriundos de vários lugares do país. A razão? Prestigiar a popular "Festa da Serra" ou "Festa de Santa Helena", evento que mistura devoção com intervenções artísticas e de piedade popular.

"Pra mim, esta festa sempre foi uma emoção. Era só esperar dar a tardezinha do sábado pra subir a rua de casa pra poder escutar as vozes dos congadeiros anunciando o início das homenagens. Coração tremia de emoção ao ouvir os tambores pra procissão", conta Geraldo Carvalho, mais conhecido como 'Seu Gué', que há 26 anos prestigia as festas de Santa Helena.

Quem se atrasa para a procissão e se arrisca em tentar alcançar o cortejo de congadas, não corre o risco de perder de vista o mar de gente com velas nas mãos pelas ruas da cidade, formando um corredor de luzes no início da noite. Além do 'Seu Gué', milhares de pessoas tinham a tradição de se reunirem para carregar a bandeira da santa que, segundo uma antiga tradição da Igreja Católica, teria mandado realizar escavações por terras santas e, numa dessas investigações, foi encontrada a verdadeira cruz em que Jesus teria sido morto no Calvário. 

Para se ter uma ideia, anualmente, os fiéis realizavam uma piedosa caminhada de aproximadamente 7 km, partindo do Átrio do Casarão, que passava em seguida pela orla da Lagoa Paulino e tinha como destino o ponto alto da Serra de Santa Helena, onde está construída a histórica e elegante capela datada de 1852. O templo foi erguido em estilo barroco português pelo fazendeiro da época, Lino Antônio de Avelar com a ajuda de outros benfeitores.

"Tenho uma devoção muito grande por Santa Helena. Uma das lembranças mais lindas que tenho foi quando Dom Guilherme presidiu a sua primeira missa na capela em época de festa. Era um dia muito bonito e muita gente tinha subido a Serra pra conhecê-lo. Até que quando a missa acabou, fizemos a coroação de Santa Helena formamos a procissão. Só que o céu também se formava e era céu pesado. Resolvemos, então, diminuir o trajeto. Quando a procissão já estava há alguns metros da igrejinha, a chuva veio com tudo. Lembro da gente correndo com o andor e tudo pra se proteger da tempestade. Todos foram nas carreiras pra não deixar a santa se molhar", relembra Dona Terezinha de Jesus, moradora do bairro Santa Luzia. 

"Pra mim a festa, a novena, os congados, é algo que mexe com a minha memória afetiva de adolescência, pois meus pais sempre me levavam para ajudá-los na barraquinha na Serra. Por seis anos vendemos caldos, pastéis, macarrão na chapa e outras coisas. Aquilo pra mim significa tanto que eu só fico na esperança dessa pandemia passar e podermos reviver esses momentos. A vida não está nada fácil, mas só tenho a agradecer a Deus, Nossa Senhora e a Santa Helena por não nos deixar faltar nada", conta a catequista Soninha. 

De geração em geração

No Brasil, existem várias capelas e paróquias dedicadas à Santa Helena. No entanto, é desconhecida tamanha festa ou outra construção em honra a rainha santa que seja mais antiga que a igrejinha da serra, em Sete Lagoas. Mesmo sem ser a padroeira oficial do município, Santa Helena motiva a vinda de romeiros à cidade ao longo de décadas, sendo uma das primeiras referências para o turismo regional. 

A capela está numa altitude de 1.076 metros. Para a sua construção, ainda na metade do século XIX, foram utilizadas carroças para transportar os materiais de obra até o alto da serra. Daquela época até os dias atuais, por algumas vezes, foram feitos os trabalhos de manutenção e recuperação de detalhes coloniais, aos quais a igreja apresenta. A última intervenção para a preservação da estrutura foi realizada em 2012. 

Igreja e festa: Patrimônio Histórico de Sete Lagoas

O jubileu era marcado por terços, novena, missas, repique de sinos, procissões e pela parte social. Esta última contava com as barraquinhas para ser o atrativo de confraternização entre os moradores da cidade, assim como também dos visitantes. "Morei em Sete Lagoas por 15 anos. Hoje, por mais que eu more em Contagem, não deixo de levar meu esposo e um casal de amigos para a Serra em maio. A última vez que fomos, em 2018, estava muito frio lá no alto, mas juntava a vista da cidade com o calor humano das congadas, das famílias que estendiam os lenções nas gramas para se sentar, as crianças correndo, era um sentimento de aconchego e, eu amava tudo isso", descreve Eduarda Mascarenhas.

Vânia Felix, moradora do bairro Brasília, relembra que quando a sua mãe era viva, o sentimento que ela tinha, era de uma paixão incondicional pela festa. Porém, por ser mais de idade e com dificuldades de caminhar, Dona Lúcia sempre acompanhava a procissão de sua casa que ficava próxima ao pé da Serra. Da janela do seu quarto, a devota fervorosa fixava os olhos para assistir os devotos subindo pelas ruas que indicavam o destino à capela. "Minha mãe, todo o ano, gostava de ver a procissão passar e ficava sempre encantada com as manifestações das congada. Do lado da janela, ela tinha um altarzinho onde fazia as suas novenas olhando para o cruzeiro, mas quando era o dia da bandeira passar, ela ficava grudadinha na janela, feito uma criança muito curiosa (risos). Atenta, não saia por nada. Ela só saia na hora dos fogos, quando sabia que o mastro já tinha sido erguido. O respeito que ela tinha por este momento era grande", conta. 

Como medida de evitar queimadas e para proteger o conjunto artístico e natural da Serra de Santa Helena, um dos principais atrativos da festa, o show pirotécnico de fogos foi abolido das festividades, por decisão dos órgãos municipais em conjunto com o Corpo de Bombeiros. 

O cruzeiro iluminado, entronizado no pico da Serra de Santa Helena, além de representar a Santa Cruz de Cristo, assim como também da importância de quem Santa Helena foi para o Cristianismo ao descobrir a cruz verdadeira, possui ainda um outro significado especial para os moradores da cidade: um sinal de proteção que se estende pelos quatro cantos do município. A cruz simboliza ainda a importância pela recordação da Paixão de Cristo, mas com a certeza da vitória sobre o sacrifício; da esperança por dias melhores; de novos dias sem contágios provocados pela Covid-19 e de dias sem mortes repentinas.

Que Santa Helena interceda por todos os devotos que foram vítimas do Coronavírus, pelas famílias enlutadas, pelos desempregados e pelos os órfãos. "Nós vamos nos reencontrar novamente e vamos encher a nossa Serra de gente e de alegria", deseja 'Seu Gué'.

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